7 marcas brasileiras que estão transformando a moda de forma mais sustentável.


A moda está passando por uma transformação. Em meio aos desafios ambientais provocados pela produção e pelo descarte de roupas e acessórios, algumas marcas brasileiras vêm buscando alternativas para reduzir desperdícios, utilizar materiais reaproveitados, desenvolver novas tecnologias e aproximar a produção de quem faz.
Nesta seleção, o Clube da Ecologia apresenta 7 marcas brasileiras que possuem iniciativas e práticas relacionadas à sustentabilidade documentadas em seus próprios canais.
A seleção não representa uma certificação ou auditoria realizada pelo Clube da Ecologia. O objetivo é apresentar ao consumidor iniciativas que merecem ser conhecidas e estimular escolhas mais conscientes.
1. Insecta Shoes: moda que transforma materiais descartados.
A história da Insecta Shoes começou em 2014, com a transformação de roupas vintage em calçados. A proposta evoluiu e hoje a marca utiliza diferentes materiais reaproveitados em seus produtos.
Entre os materiais apresentados pela própria empresa estão tecidos de roupas vintage, tecidos de estoque parado (deadstock), resíduos de produção, algodão reciclado, tecidos produzidos a partir de garrafas PET recicladas e borracha reciclada.
A marca também informa que suas solas são produzidas com borracha reciclada e que parte das sobras da própria produção é transformada em palmilhas. Na linha vintage, uma peça de roupa reaproveitada pode originar aproximadamente cinco ou seis pares de calçados.
É um exemplo de como o design pode transformar materiais que seriam descartados em novos produtos.
Conheça: Insecta Shoes
2. Catarina Mina: quando o artesanato também conta uma história de impacto.
Na Catarina Mina, sustentabilidade aparece ligada principalmente ao trabalho artesanal e às relações construídas com as artesãs.
A marca mantém uma rede formada majoritariamente por mulheres e disponibiliza informações sobre quem produziu cada peça. As bolsas recebem um cartão com QR Code que permite conhecer a artesã responsável pelo trabalho.
A empresa também mantém uma Célula de Impacto Socioambiental Positivo, responsável por acompanhar dados, resultados e histórias relacionadas aos projetos desenvolvidos com comunidades artesãs do Ceará.
O relatório de impacto 2024/2025 da marca destaca aspectos como autonomia, reconhecimento cultural e transformação na vida das mulheres envolvidas.
É uma abordagem que mostra que falar de sustentabilidade na moda não significa olhar apenas para o material de uma roupa ou acessório. As relações de trabalho, a valorização do conhecimento tradicional e a geração de renda também fazem parte dessa discussão.
Conheça: Catarina Mina
3. Osklen: inovação em materiais.
A Osklen trabalha há décadas com uma proposta que relaciona moda, design e sustentabilidade.
Entre os materiais apresentados pela marca estão algodão orgânico, algodão reciclado, PET reciclado, juta orgânica e materiais desenvolvidos a partir de resíduos ou matérias-primas de origem específica.
Um dos exemplos é o projeto com couro de pirarucu. Segundo a empresa, a pele, tradicionalmente descartada após o aproveitamento do peixe para alimentação, passou a ser utilizada como matéria-prima para acessórios.
A marca também trabalha com o conceito de e-fabrics, desenvolvido em parceria com o Instituto-E, organização ligada a projetos de desenvolvimento sustentável.
Outro aspecto interessante é a utilização de resíduos da produção. A Osklen informa que tecidos que sobram após a produção podem ser destinados a grupos comunitários de tecelagem para serem transformados em novos produtos.
Conheça: Osklen
4. Pantys: uma nova relação com produtos menstruais
A Pantys entrou no universo da moda sustentável por um caminho diferente: o desenvolvimento de produtos menstruais reutilizáveis.
As calcinhas absorventes foram criadas como alternativa aos produtos descartáveis e podem ser lavadas e reutilizadas durante muitos ciclos.
A empresa também desenvolveu uma Etiqueta de Carbono, calculando a pegada de carbono de seus produtos. Segundo a Pantys, o estudo considera diferentes etapas do ciclo de vida, incluindo materiais, produção, transporte, embalagem, uso e descarte.
A marca informa ainda utilizar tecidos biodegradáveis em seus produtos e materiais reciclados em parte de sua produção. A biodegradação informada para determinados tecidos ocorre em condições específicas de descarte em aterros sanitários — um detalhe importante para que o consumidor não interprete “biodegradável” como sinônimo de decomposição em qualquer ambiente. (pantys)
Aqui, a sustentabilidade está relacionada não apenas ao material utilizado, mas também à reutilização e à redução de produtos descartáveis.
Conheça: Pantys
5. Damyller: tecnologia para repensar o jeans.
O jeans é uma das peças mais populares do vestuário e também envolve processos que podem consumir grandes quantidades de água e produtos químicos.
A Damyller vem investindo em tecnologias para modificar esse processo.
A empresa utiliza recursos como laser e ozônio no beneficiamento do denim. Segundo a marca, essas tecnologias permitem realizar determinados efeitos no jeans com menor utilização de água e produtos químicos.
A empresa também informa que parte de sua produção utiliza processos com redução significativa desses recursos e mantém uma Estação de Tratamento de Efluentes para tratar a água utilizada industrialmente.
Outro exemplo está no reaproveitamento de materiais: a Damyller utiliza resíduos de denim em elementos de suas lojas e informa utilizar tecidos e fibras reutilizados em determinados componentes.
A marca também publica um relatório anual de sustentabilidade seguindo as diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI). (Damyller)
Conheça: Damyller
6. Flavia Aranha: roupas, plantas e circularidade
A proposta da Flavia Aranha aproxima moda, natureza e conhecimento sobre matérias-primas.
A marca trabalha com fibras como linho, algodão e TENCEL™ e apresenta em suas coleções técnicas como tingimento natural e impressão botânica, utilizando plantas e elementos naturais para criar cores e estampas.
Um dos projetos que chama atenção é o RETECE, baseado no aproveitamento das sobras de corte das próprias roupas.
Os retalhos são organizados e enviados para costureiras do grupo Conkistart, em parceria com o Instituto Ecotece. Esses materiais são transformados em colchas de retalhos que posteriormente retornam ao ateliê e podem ganhar uma nova função dentro da produção.
A iniciativa é um exemplo de design circular: em vez de considerar automaticamente a sobra de tecido como resíduo, o processo procura encontrar uma nova possibilidade de uso para ela.
A Flavia Aranha também informa participar do Sistema B desde 2020. (Flavia Aranha)
Conheça: Flavia Aranha
7. Revoada : o que era resíduo vira matéria-prima
Na Revoada, a economia circular está no próprio DNA dos produtos.
A marca trabalha com materiais que seriam descartados, como câmaras de pneus e tecidos de guarda-chuvas.
Um exemplo é a Bolsa Retângulo. Segundo a própria empresa, cada unidade utiliza uma câmara de pneu e tecido de guarda-chuva, resgatando dois guarda-chuvas e uma câmara de pneu.
Os materiais são coletados junto a borracharias e unidades de triagem e transformados em bolsas e outros acessórios.
A proposta vai além de simplesmente reaproveitar materiais: a empresa também trabalha com pequenos ateliês e cooperativas de costureiras, conectando o reaproveitamento de resíduos à geração de renda.
É o conceito de upcycling aplicado à moda: transformar um material que perdeu sua função original em um produto com nova utilidade e valor. (Revoada)
Conheça: Revoada
Moda sustentável não é uma fórmula única.
As sete marcas mostram que não existe apenas um caminho para tornar a moda mais responsável.
Uma marca pode investir em materiais reciclados. Outra pode trabalhar com artesanato e geração de renda. Há quem desenvolva tecnologias para reduzir água e produtos químicos, quem aposte na reutilização e quem procure transformar resíduos em novas matérias-primas.
Também é importante lembrar que uma prática sustentável específica não significa que todos os aspectos da produção de uma empresa sejam igualmente sustentáveis.
Por isso, para o consumidor, mais importante do que simplesmente procurar a palavra “sustentável” é entender como determinado produto é feito, quais materiais utiliza, de onde eles vêm, como a peça é produzida e qual será seu destino depois do uso.
Quanto mais informação houver, melhores serão as condições para fazer escolhas conscientes.
E você?
Quando compra uma roupa, bolsa ou calçado, costuma procurar informações sobre os materiais e a forma como o produto foi produzido?
Conhecer é o primeiro passo para escolher melhor.
Clube da Ecologia : informação para escolhas mais conscientes.


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